Mãe do Corpo – por que esse nome?

parteiraEsse papo de escolher nome é curioso! Eu sentia como se tivesse parido um bebê, numa gestação não de 9 meses, mas de aproximadamente 9 anos! E um bebê quando nasce, a gente quer chamar, quer falar dele, quer vestir, quer mimar, mas, sem nome, ficava estranho! Era meu bebê, meu filho e precisava de um nome…

O lugar já estava escolhido, já havíamos iniciado as atividades, a casa estava pronta, grávidas e casais já circulavam pelo jardim, mas… e o nome desse lugar tão verde, tão acolhedor, tão único? Algo faltava, o espaço precisava ser batizado. Já havíamos pensado em nomes em português, espanhol, sânscrito e até siglas, mas nada parecia agradar.

Para continuar essa história, preciso compartilhar com vocês que cresci ouvindo minha avó contar seus partos, seus 6 partos em casa, com a presença de seu companheiro de uma vida inteira, meu avô, sempre apoiando, com palavras de conforto e incentivo, além da presença de uma figura muito especial, uma parteira, a mesma em todos os partos! Lembro também de ouvir minha mãe contando que havia nascido pelas mãos dessa parteira, todos a chamavam Mãe Maria Lopes. Contavam que, na maioria das vezes, ela chegava na madrugada. Alguém tinha ido levar o recado de que uma mulher estava em trabalho de parto e ela rapidamente vinha a cavalo, cabelos longos e saia rodada.

E certo dia tive um sonho! Sonhei com parteiras, estavam sentadas em roda, cabelos longos e trançados, saias rodadas. A imagem que eu havia criado quando ouvia as histórias de minha avó e mãe, havia sido projetada no meu sonho… nele as parteiras conversavam entre si e com outras pessoas, com os mais velhos, com os mais moços. Contavam os causos, os partos, compartilhavam a alegria desse momento, o milagre da vida! Eu me emocionava, queria saber detalhes, mas não saberia dizer pra vocês o que elas conversavam. Percebia que estavam felizes pelos sorrisos estampados no rosto e, de alguma forma, sabia qual era o assunto tratado, apesar de não entender uma só palavra. As parteiras falavam num dialeto! E foi nessa angústia de tentar entender a conversa que acordei perturbada, sonolenta, mas, determinada!

Então pensei: – deve estar relacionado ao nome que eu tanto procuro! Assim, na madrugada, sem aguentar esperar o dia amanhecer, corri para o “Google” e comecei a fazer algumas buscas. Eu sabia que ia encontrar alguma coisa!! Meus sonhos são sempre reveladores. Foram e continuam sendo pra mim, até hoje!

Busquei por “dialeto de parteira”, “linguajar de parteira”, “dicionário de parteira” e nada… não era possível que eu não ia encontrar! Foi aí que resolvi buscar por “história de parteira”! Claro! A imagem que eu tive foi exatamente essa, eram parteiras contando histórias!

Nessa busca me deparei com um texto lindo, parecido inclusive com a cena do meu sonho! O texto levava um título curioso e logo entendi o seu significado. Mãe do Corpo, era como as parteiras se referiam ao útero! A matriz, o lugar que gera, fecunda, guarda, nutre, prepara!

Que incrível! Finalmente eu havia encontrado o nome! Ou será que ele havia me encontrado?

Semírames Ávila – a mãe da mãe do corpo, como minhas amigas e parceiras de trabalho costumam chamar

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